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DIU pode reduzir o risco de câncer do colo do útero? Entenda o que a ciência já descobriu

Quando falamos sobre DIU, a maioria das pessoas pensa imediatamente em anticoncepção. E não é para menos: tanto o DIU hormonal quanto o DIU de cobre estão entre os métodos contraceptivos mais eficazes disponíveis atualmente.

Mas existe uma informação que ainda surpreende muitas mulheres: estudos científicos sugerem que o uso do DIU pode estar associado a uma redução no risco de câncer do colo do útero.

Será verdade? E como isso acontece?

O que é o câncer do colo do útero?

O câncer do colo do útero é causado, na grande maioria dos casos, por uma infecção persistente pelo HPV (Papilomavírus Humano), especialmente pelos tipos considerados de alto risco.

É importante entender que:

  • Ter HPV não significa ter câncer.

  • A maioria das infecções por HPV desaparece espontaneamente.

  • Apenas uma pequena parcela das infecções persiste por muitos anos e pode evoluir para lesões precursoras e, posteriormente, para câncer.

Por isso, exames preventivos e vacinação continuam sendo fundamentais.

O que os estudos mostram sobre o DIU?

Diversas pesquisas observaram que mulheres que utilizam DIU apresentam menor incidência de câncer do colo do útero quando comparadas às não usuárias.

Uma revisão sistemática com meta-análise publicada na revista Obstetrics & Gynecology avaliou dados de milhares de mulheres ao redor do mundo e encontrou uma redução significativa do risco de câncer cervical entre usuárias de DIU.

Dependendo da população estudada, essa redução variou aproximadamente entre 30% e 45%.

Como o DIU poderia oferecer essa proteção?

A verdade é que ainda não existe uma resposta definitiva.

Os pesquisadores acreditam que alguns mecanismos possam estar envolvidos:

1. Estímulo do sistema imunológico local

A presença do DIU dentro do útero provoca uma resposta inflamatória controlada e localizada.

Essa resposta pode aumentar a vigilância imunológica da região e favorecer a eliminação de células infectadas pelo HPV.

2. Alterações no ambiente cervical

O DIU pode modificar o microambiente do colo do útero, dificultando a persistência de infecções virais ao longo dos anos.

3. Remoção de células alteradas

Alguns especialistas sugerem que a inserção ou retirada do DIU poderia contribuir para a eliminação de células anormais presentes no colo uterino.

No entanto, essa hipótese ainda precisa de mais estudos.

O DIU trata HPV?

Não.

Esse é um ponto muito importante.

O DIU não é um tratamento para HPV e não deve ser indicado com essa finalidade.

Se uma mulher recebe diagnóstico de HPV ou de uma lesão cervical, o tratamento dependerá do tipo de alteração encontrada e da avaliação médica individualizada.

O DIU substitui o preventivo?

Também não.

Mesmo utilizando DIU, a mulher deve continuar realizando os exames de rastreamento recomendados para sua faixa etária.

O acompanhamento ginecológico continua sendo essencial para identificar precocemente alterações causadas pelo HPV.

Qual é a melhor forma de prevenir o câncer do colo do útero?

A prevenção envolve uma combinação de estratégias:

  • Vacinação contra HPV.

  • Exames de rastreamento adequados.

  • Acompanhamento ginecológico regular.

  • Tratamento correto das lesões quando necessário.

  • Hábitos de vida saudáveis.


Conclusão

O DIU é um método contraceptivo extremamente eficaz e seguro. Além disso, estudos sugerem que seu uso pode estar associado a uma redução do risco de câncer do colo do útero.

Apesar desse benefício potencial, ele não substitui a vacinação contra HPV, os exames preventivos nem o acompanhamento ginecológico regular.

Se você está pensando em utilizar DIU e deseja entender qual opção faz mais sentido para o seu caso, converse com seu ginecologista para uma avaliação individualizada.

Referências

  1. Cortessis VK, Barrett M, Brown Wade N, et al. Intrauterine Device Use and Cervical Cancer Risk: A Systematic Review and Meta-analysis. Obstetrics & Gynecology. 2017.

  2. Castellsagué X, Díaz M, Vaccarella S, et al. Intrauterine Device Use, Cervical Infection with Human Papillomavirus, and Risk of Cervical Cancer. Lancet Oncology. 2011.

  3. World Health Organization (WHO). Cervical Cancer Prevention and Control Guidelines.

  4. American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Cervical Cancer Screening and Prevention Recommendations.

 
 
 

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© 2026 Por Dra Jacqueline Mazzotti.  

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